Os pontos de vista e discrepantes indicadores refletem a incerteza causada pela crise financeira e as conseqüências de seus efeitos. Como era de se esperar, ONGs e fundações em todo mundo continuam sendo afetadas, e ainda que o cenário continue instável, nem todo o mundo o vê como sombrio.
Cerca de 50% das organizações sem fins lucrativos em diferentes partes do mundo informam ter tido uma diminuição nas verbas durante o ano passado, de acordo com uma pesquisa da Global Fundraising Confidence Survey do MC (Centro de Gestão) sobre a arrecadação mundial. As organizações sem fins lucrativos na Ásia foram as mais atingidas com cerca de 13% de queda na remessa em comparação com a Europa, onde a queda foi de 1%. Contudo, 33% relataram crescimento e anunciaram que a confiança na arrecadação de fundos está crescendo.
De acordo com a pesquisa, 56% afirmam sentir-se mais otimista com as doações nos próximos 12 meses. Apesar das cifras anteriores, os europeus são os mais pessimistas, com somente 30% afirmando se sentirem otimistas contra 70% na Ásia e Australásia.
Panorama sombrio nos Estados Unidos…
Cruzando o Atlântico, uma pesquisa realizada pela publicação The Chronicle of Philanthropy com as 400 organizações para arrecadação de fundos de mais sucesso nos Estados Unidos sugere que doações caíram aproximadamente 9% este ano. E o cenário para 2010 não parece ser muito diferente. Os funcionários das organizações sem fins lucrativos afirmam ter esperanças de que a alta nas bolsas de valores influencie os financiadores a doarem mais, mas temem que as fundações e as corporações façam mais cortes.
Além disso, as fundações comunitárias dos Estados Unidos sofreram perdas nos investimentos de 27% no ano passado, de acordo com pesquisa do COF (Conselho de Fundações). Contudo, diz Monica Wroblewski, porta-voz do COF, as receitas nos investimentos nos anteriores mostram que “muitas fundações comunitárias estejam em uma posição privilegiada, pois têm liquidez considerável para fazer doações”.
....e os relatórios são heterogêneos no Reino Unido
No Reino Unido, a Fundação Lloyds TSB suspendeu as doações indefinidamente logo após o anúncio de que seu único patrocinador, o Lloyds Banking Group, relatou que não teve luro este ano. O NCVO (Conselho Nacional de Organizações Voluntárias) e a Fundação CAF (Charities Aid) afirmaram em setembro (UK Giving 2009) que as doações às 170.000 organizações sem fins lucrativos do Reino Unido haviam caído para £9,9 bilhões, ou seja, 11%, durante o ano passado. Segundo a pesquisa, contudo, o número de pessoas que fazem doações se manteve mais ou menos estável, mostrando que apenas 2% de queda durante o ano anterior.
Em contrapartida, um estudo publicado em outubro pela Universidade de Sheffield Hallam e da Universidade de Kent indica que a recessão poderia ter um impacto menor nas doações dos setores sem previsão de lucro do que sugerem os meios de comunicação. A pesquisa destacou os números das principais convocatórias para reunir fundos no Reino Unido, como o como Comic Relief y Children in Need da BBC, que bateu recorde durante a crise.
As fundações alemãs se unem em “épocas especialmente difíceis”
Para examinar os efeitos das crises em seus membros, a BDS (Associação de Fundações Alemãs) organizou o congresso “Perspectiva 2015 – Como as fundações podem atuar em
épocas especialmente difíceis”, entre os dias 23 e 24 de setembro na Fundação Universidade de Hildesheim. Cerca de 200 fundações participaram do evento.
De acordo com as leis alemãs, exige-se que as fundações mantenham o valor de seus ativos. As políticas de investimentos são, portanto, tradicionalmente conservadas, o que explica por que a maioria das organizações alemãs sente menos os efeitos da situação atual em relação aos outros países europeus. De maneira geral, resume o Dr. Roland Kaehlbrandt, membro da junta diretiva da BDS: “Devemos ser cautelosos, mas ao mesmo tempo permanecer abertos para a inovação”. Outra opinião amplamente expressa foi que a crise acelerará a tendência em prol da cooperação.
A associação publicará as contribuições mais importantes da conferência sob o título: “Como as fundações podem atuar com eficiência: estratégias e conselhos práticos não somente para os tempos de crise”. Estará à disposição provavelmente no começo do ano que vem.